Aeroporto aposta em logística para desenvolvimento da RMBH

Deputados defendem conexão do terminal de Confins com a ferrovia para transporte também de passageiros.

incremento da logística de cargas no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, inclusive com integração dos modais, é essencial para aumentar a competitividade das empresas mineiras e para gerar mais empregos e renda no Estado.

Essa ampliação, no entanto, depende não apenas da estrutura física, como a conexão entre o terminal e as ferrovias, mas também da mobilização do empresariado no sentido da integração, que leve a um aumento no volume de cargas, com a consequente redução de preço.

Essa análise pautou a audiência da Comissão Extraordinária Pró-Ferrovias Mineiras da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada nesta quinta-feira (5/12/19), a requerimento dos deputados João Leite (PSDB), Gustavo Mitre (PSC) e Osvaldo Lopes (PSD).

Contexto – O Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), está a menos de 10 km da Estação Doutor Lund, em Pedro Leopoldo, na mesma região. Por ali, passam os trens da VLI Logística.

Enquanto isso, mais de 70% das cargas destinadas a Minas Gerais chegam por São Paulo e vêm de caminhão até a RMBH. “Deveria ser o contrário, por causa da nossa localização. Estamos a menos de uma hora de voo de sete cidades que somam 80% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional”, expôs Marcos Brandão, diretor-presidente da BH Airport, que administra o terminal.

Para ele, a conexão até Doutor Lund e a possibilidade de distribuir as cargas também por ferrovias seria importante. Mas o essencial é a criação de uma cultura de integração com o trade de comércio exterior, que leve, por exemplo, a uma contratação conjunta do transporte de cargas. Falta, ainda, segundo ele, divulgar os benefícios desse serviço e as possibilidades do terminal de Confins.

“Hoje, para trazer um avião cargueiro de Miami a Confins, temos companhias aéreas que fazem o valor por quilo 15% menor do que no Aeroporto de Viracopos (Campinas/SP), mas não temos volume. Porém, se olharmos o volume de cargas do Estado, daria dez cargueiros por semana”, compara.

Aviões de passageiros têm espaço para cargas

Outro ativo que precisa ser divulgado, segundo Marcos Brandão, é o número de destinos diretos acessados por Confins, que saltou de 25 para 47 nos últimos quatro anos. Outra possibilidade é o uso da “barriga” da aeronave para transporte de produtos, sem necessidade de cargueiros. Hoje, os aviões viajam com 60%, em média, de ociosidade nesse espaço.

“Há também incentivos fiscais para Confins, mas as empresas não conhecem isso”, acrescentou Marcos Brandão, antecipando que esse trabalho de publicidade será um dos focos da BH Airport em 2020. O diretor-geral falou, ainda, da homologação do aeroporto indústria, que deve ser feita nas próximas semanas, e dos benefícios que isso trará ao Estado.

No último ano, de acordo com dados da BH Airport, o terminal de cargas de Confins já teve ampliação de 25% na tonelagem movimentada, contra média nacional de aproximadamente 3%. Isso foi resultado de investimentos, mas também de redução no tempo médio de liberação de cargas, o que aumenta a disponibilidade.

O assessor da Federação das Empresas de Transportes de Carga do Estado, Luciano Medrado, citou a matriz de origem e destino de cargas, estudo que tem sido realizado pela Agência de Desenvolvimento da RMBH, como um instrumento importante na busca por cargas pela BH Airport.

Passageiros – A deputada Marília Campos (PT) insistiu na conexão por ferrovia com Doutor Lund como forma de atender, não apenas cargas, mas também passageiros que usam o aeroporto. “Se os recursos da renovação das concessões ficarem em Minas, poderemos atender cargas e passageiros. Se não, há empresas de outros países que querem investir”, pontuou.

João Leite também enfatizou o sonho da conexão com a ferrovia para atender passageiros, desde Divinópolis (Centro-Oeste) até Sete Lagoas (RMBH). A superintendente de Transporte Ferroviários do Estado, Vânia Silveira, se mostrou otimista com a possibilidade de conexão do aeroporto com a ferrovia. “É um custo pequeno para um benefício grande”, justificou. Ela destacou a elaboração do Plano Estratégico Ferroviário (PEF), que trará um portfólio de obras.

Fonte: ALMG

Foto: Daniel Protzner/ALMG

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