RODOVIAS QUE PERDOAM

Em atenção à tendência mundial de evitar acidentes e mitigar as suas consequências, a CNT (Confederação Nacional do Transporte) publicou, recentemente, o informe Transporte em Foco com o tema: “Rodovias que Perdoam”. O documento discorre sobre a importância do planejamento viário e da adequação da infraestrutura rodoviária com vistas a aplacar os erros na condução, fatores que se destacam dentre as causas de acidentes no mundo. A construção de áreas de escape nas vias e a instalação de dispositivos de contenção e sonorizadores são apontados como ações propositivas para um trânsito seguro.

Acesse o informe Transporte em Foco

“A melhoria na segurança viária em decorrência de investimentos em um trânsito mais seguro tem sido uma prática em vários países. No Brasil, é preciso incentivar as iniciativas para a adoção desse conceito, que pode contribuir para reduzir mortes e lesões em decorrência de acidentes de trânsito”, ressalta o presidente da CNT, Vander Costa.

Apesar do entendimento da importância de preparar as vias para minimizar o erro humano e da existência de algumas iniciativas nesse sentido, o Brasil ainda está longe do cenário ideal de segurança com base na aplicação do conceito rodovias que perdoam.

Em 2020, os custos de acidentes de trânsito em rodovias federais no país corresponderam a R$ 10,2 bilhões. Por outro lado, na totalidade desse mesmo ano, foram investidos pela União em adequação e manutenção das rodovias, no país, apenas R$ 6,7 bilhões, conforme aponta levantamento da CNT. Segundo a Pesquisa CNT de Rodovias 2019, em apenas 11,3% da extensão viária pesquisada (108.863km), os dispositivos de proteção contínua (defensas) estão presentes, quando necessários, em todo o percurso.

O que são rodovias que perdoam?

No Brasil, o conceito de rodovias que perdoam foi incorporado na norma ABNT NBR 15486, publicada em 2007 e revisada em 2016. A norma estabelece um conjunto de orientações para a segurança no tráfego e a realização dos projetos de dispositivos de contenção viária. Além disso, em 2010, foi publicada, pela Organização das Nações Unidas (ONU), a resolução A/RES/64/255, por meio da qual a entidade declarava o período de 2011 a 2020 como a “Década de Ações para a Segurança Viária”.

Essa resolução objetivava definir políticas, programas, ações e metas para, ao nível global, diminuir a mortalidade em acidentes de trânsito em 50% em dez anos. Porém, em 2018, com a constatação de que os objetivos de redução não seriam alcançados no Brasil, foi criado o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), a partir da lei nº 13.614. Esse plano visa a redução pela metade dos índices de mortos por grupo de habitantes e por grupo de veículos, em um período de dez anos (2019- 2028).

As rodovias que perdoam abrangem a implantação de diversos elementos de segurança viária, também conhecidos como equipamentos de segurança passiva. Zonas livres, dispositivos de contenção, atenuadores de impacto, sonorizadores e acostamentos, dentre outros, fazem parte desse conceito.

Segundo a Pesquisa CNT de Rodovias 2019, em apenas 11,3% da extensão viária pesquisada11 os dispositivos de proteção contínua (defensas) estão presentes, quando necessários, em todo o percurso. Com isso, conclui-se que os benefícios decorrentes da redução de acidentes não apenas seriam superiores aos custos de implantação do conceito de rodovias que perdoam, mas também amplamente justificados.

A comparação dos dados evidencia que os benefícios decorrentes da redução de acidentes não apenas seriam superiores aos custos de implantação do conceito de rodovias que perdoam, mas também amplamente justificados. E, por mais que uma parte significativa dos acidentes seja motivada pela componente humana, os dados destacam que falhas na estrutura viária têm o potencial de agravar ainda mais as consequências.

Fonte: CNT

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