A alta dos preços ou até mesmo escassez pode acontecer devido à decisão da Rússia em suspender as exportações do diesel
Na última semana, os preços do diesel caíram em Minas Gerais. Conforme os dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no caso do óleo diesel, de 17 a 23 de setembro, a redução foi de 0,66%, enquanto o S10 retraiu 0,16% frente à semana imediatamente anterior. Apesar da queda, a tendência futura para a cotação do combustível é de alta ou até mesmo escassez. Isso devido à decisão da Rússia em suspender as exportações do diesel.
De acordo com os dados da ANP, em relação há um mês, os combustíveis ficaram mais caros no Estado. O óleo diesel subiu 1,18%, já o S10 aumentou 1,98%. Na terceira semana de setembro, a cotação do diesel, em média, no Estado, ficou em R$ 5,99 o litro. O S10 foi negociado, em média, a R$ 6,17 o litro.
A disruptura na administração de abastecimento interno do combustível, segundo Munhoz, requer uma responsabilidade e experiência que não se nota nos atuais responsáveis. “Onde está a contingência numa situação em que o principal fornecedor atual é participante de uma guerra, e não coaduna em boas sinergias com o atual governo. Resta-nos prepararmos para falta de produtos de primeira necessidade, elevação substancial de preços destes, pois a economia já nos ensina que o efeito é sempre doloroso e o retorno à normalidade requer tempo, que não temos”, explicou.
Setor de transporte de cargas
O presidente da Federação das Empresas de Transportes de Carga do Estado de Minas Gerais (Fetcemg), Sérgio Pedrosa, explica que será necessário observar os rumos do mercado para avaliar os impactos que poderão ou não atingir o setor.
“A volatilidade do preço do diesel já está acontecendo. Então, mais relacionado à situação seria um risco da falta, mas, como sou da empresa de transporte, não sei dizer se o risco é real ou não. Naturalmente, já estamos vendo no mercado o que as distribuidoras de combustíveis chamam de corte de pedidos. Na prática, o cliente pede um volume, mas a distribuidora entrega menos. Isso ocorre pelo efeito da instabilidade e da insegurança. Na medida em que os agentes da economia – empresas, indústrias e pessoas físicas – têm uma sensação de escassez ou de falta, há uma tendência de aumentar os estoques. Isso vai gerar uma sobredemanda que pode ser uma bolha. ”.
Quando a uma possível alta dos preços, Pedrosa explica que o setor está adaptado à volatilidade e trabalha com tabelas que ajustam os valores do frete conforme a variação dos combustíveis.
“O mercado vai se ajustando às variações de preços, já faz parte. Inclusive, temos a tabela de preços do frete da ANTT que já tem gatilho. Sempre que há variação, de 5% para mais ou para menos, a própria tabela dá uma referência para o mercado”.
Já o presidente em exercício do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), Adalcir Lopes, explica que o setor não deverá ser afetado.
“Esta época no Brasil, até dezembro, janeiro, há uma sazonalidade pela entressafra na produção agrícola, chuvas, férias e a demanda pelo diesel cai cerca de 30%. Essa redução, deve permitir que a Petrobras consiga suprir com a própria produção. Pode acontecer do setor passar a crise sem grandes impactos”, explicou.
Fonte: Diário do Comércio/jornalista Michelle Valverde
