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Taxas de juros pode dificultar programa de renovação de frota

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O governo federal apresentou por meio do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e vice-presidente da República, Geraldo Alckmin o programa Move Brasil, que assegura a destinação de R$ 10 bilhões em créditos com o objetivo de renovar as frotas do país, incentivar a efetividade logística, além de apoiar a redução de poluentes por meio da troca de caminhões com mais de 20 anos de utilização.

A estrutura do programa foi determinada na medida provisória 1.328/2025, publicada pelo Diário Oficial da União em 16 de dezembro de 2025. Os artifícios abrange pessoas físicas e jurídicas que atuam no setor do Transporte Rodoviário de Cargas, como é o caso das empresas, cooperados e autônomos, que agora, por se tratar de profissionais que acumulam o maior número de veículos antigos em circulação, terão R$1 bilhão destinados de forma exclusiva. Contudo, o financiamento de caminhões novos será limitado para produção nacional.

O controle dos capitais será de domínio do Ministério da Fazenda, que contará com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como responsável financeiro, além disso, as negociações poderão ser intermediadas pelo Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), que promete garantia de até 80% do valor financiado.

As condições determinam uma margem de até R$ 50 milhões por beneficiário, com um período de até cinco anos e déficit de até seis meses, ainda contam com as taxas de juros anuais que alternam entre 13% e 14%, baseado na avaliação de risco do financiado, contando com os gastos financeiros e spread bancário.

Para José Alberto Panzan, diretor da Anacirema Transportes e da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP) , o programa Move Brasil é um bom recurso para profissionais do setor sob o ponto de vista administrativo, porém há outros fatores que podem interferir a longo prazo no decorrer da medida, analisando principalmente as consequências finais.

“O Move Brasil é positivo do ponto de vista estrutural, pois cria uma linha dedicada à renovação de frota e sinaliza apoio ao setor. No entanto, seu efeito prático dependerá diretamente das taxas finais, prazos e carências, que precisam ser competitivos para realmente viabilizar investimentos. Dessa forma, a ideia pode se tornar limitada ou até ineficiente se o custo do capital continuar elevado”, diz o diretor.

O ano de 2025 foi de grande desconfiança por parte de muitos transportadores, que, por sua vez, viam a instabilidade econômica se tornar uma barreira na hora de assumir riscos com investimentos internos. Assim, a nova medida provisória ainda é um campo a ser explorado e pensado para os profissionais que sabem da importância de renovar, mas que muitas vezes ficam com receio de avançar.

Com o início do novo ano, a recomendação ainda é de cautela. Dessa forma, é necessário equilibrar as expectativas e traçar uma linha entre o capital das empresas, as estratégias e a realidade de cada negócio, com isso, os termômetros nortearão o resultado da nova medida provisória para os profissionais do setor. Os juros são determinantes, e o objetivo passa a ser: continuar rentável, evitar os gargalos, além de manter o controle para fechar as contas no azul.

“Este é um momento que exige muita conta, simulação e prudência. O empresário precisa avaliar se a operação gera caixa suficiente para sustentar a dívida, se o novo caminhão traz ganho real de produtividade e se o financiamento melhora ou piora o equilíbrio financeiro da empresa. Crédito é ferramenta, não solução. Em um ambiente de juros altos e demanda frágil, cautela é fundamental”, afirma José Alberto Panzan.

Nessa perspectiva é fundamental que, em 2026, os executivos das transportadoras trabalhem com um planejamento estratégico eficiente, entendendo as necessidades, calculando os benefícios a curto e longo prazo, entre outros.

Além desses fatores, é preciso pensar em sustentabilidade, elemento que move os debates por todo o mundo, e que hoje é pensado e defendido pelo TRC, além de estar presente como um dos critérios da MP 1.328/2025. A ideia é a redução do uso de diesel no setor, estimulando a troca de caminhões antigos por veículos novos e com menos impacto para o meio ambiente.

“Na Anacirema, a renovação é tratada com extrema racionalidade financeira, baseada em, análise rigorosa de TCO (custo total de propriedade), impacto direto no fluxo de caixa, relação entre capacidade contratada versus demanda real, avaliação se o novo ativo gera ganho de eficiência ou apenas aumento de endividamento. Ou seja, renovamos a frota quando a conta fecha, não apenas porque existe crédito disponível”, finalizou.

Fonte: NTC & Logística

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