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ARTIGO – Os desafios do transporte de cargas em ano decisivo para o Brasil

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Em 2026, o transporte rodoviário de cargas volta ao centro das discussões em meio a debates sobre segurança nas estradas, meio ambiente e logística, que devem se intensificar nas campanhas eleitorais país afora. O setor, que avançou cerca de 7% em 2025, conforme dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT), deve manter seu crescimento, impulsionado pelo vigor do agronegócio, pela consolidação do e-commerce e pela maior integração entre mercados regionais e globais. Este cenário exige respostas rápidas, planejamento logístico avançado e uma grande capacidade de adaptação a cadeias de suprimentos cada vez mais complexas.

A questão que se impõe é inevitável: diante de problemas amplamente conhecidos, o que o poder público tem feito, de forma concreta, para assegurar infraestrutura adequada e condições reais de eficiência para um setor que sustenta o funcionamento da economia brasileira?

Para começar, a segurança pública nas estradas continua sendo um dos maiores gargalos do transporte. Embora os números recentes de São Paulo apresentem um avanço, com uma redução de 26% nas ocorrências de roubo de cargas em 2025 (3.470) comparado a 2024 (4.711), segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP), o problema está longe de ser superado.

Em termos absolutos, o volume de ocorrências permanece elevado e o impacto do roubo de cargas vai muito além da estatística criminal. Trata-se de um fator que pressiona toda a cadeia produtiva. O aumento do risco eleva o valor dos seguros, exige investimentos adicionais em rastreamento e escolta, amplia custos operacionais e, inevitavelmente, encarece o frete. E quando o frete sobe, o preço final dos produtos também aumentam . E é o consumidor que acaba pagando essa conta.

O setor também ocupa espaço central na agenda ESG, especialmente quando o tema é a renovação da frota. A substituição de caminhões antigos, do padrão Euro 0, por modelos Euro 6, por exemplo, pode reduzir em até 95% a emissão de poluentes locais, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O impacto ambiental é expressivo e se reflete diretamente na qualidade do ar e na saúde pública, sobretudo nos grandes centros urbanos.

No entanto, a frota brasileira ainda tem idade média elevada, e a renovação avança em ritmo inferior ao necessário. Iniciativas como o programa Move Brasil cumprem papel relevante ao estimular a renovação da frota. Essa política de incentivo gera efeitos econômicos diretos ao ampliar o acesso a linhas de crédito com juros mais competitivos e prazos mais adequados, viabilizando a expansão dos negócios, o aumento do faturamento e a geração de empregos.

Porém, modernizar veículos não resolve, por si só, os gargalos estruturais que encarecem a logística no país. Rodovias em condições precárias, trechos saturados e acessos urbanos mal planejados continuam gerando desperdício de tempo, combustível e produtividade. Segundo estimativas da Confederação Nacional do Transporte (CNT), os custos logísticos no Brasil podem atingir cerca de 15% do PIB, percentual significativamente superior ao de economias desenvolvidas.

Houve, sem dúvida, avanços relevantes. A entrega da primeira fase do trecho norte do Rodoanel Mário Covas, em dezembro de 2025, representa um marco importante em São Paulo. A nova ligação já contribui para desviar parte do tráfego pesado da Região Metropolitana, reduzir o tempo de deslocamento e ampliar a segurança viária. Ainda assim, trata-se de uma solução parcial diante da dimensão dos desafios logísticos.

A fluidez do transporte de cargas na capital paulista segue comprometida por restrições urbanas e gargalos históricos. Nesse contexto, ganha força a proposta de liberação da via expressa da Marginal Tietê para o tráfego de veículos comerciais de carga em tempo integral, ao menos até que o escoamento seja plenamente viabilizado por outras rodovias que conectem as regiões Norte e Oeste do Estado e até a conclusão total do Rodoanel.

O objetivo é garantir que a produção chegue ao destino, sempre no prazo e com a qualidade que a economia global exige. Ou seja, sem caminhão, a economia para!

Diante desse cenário, o papel do governo precisa ir além do discurso. Em um ano de decisões políticas, é fundamental que candidatos e gestores públicos assumam compromissos claros, mensuráveis e de longo prazo para melhorias das estradas e rodovias. Tratar a logística como prioridade estratégica é reconhecer sua importância não apenas econômica, mas também social, como um verdadeiro motor de desenvolvimento e estabilidade nacional.

Afinal, como a história recente demonstrou nos momentos de maior adversidade, quando quase tudo para, é o transporte de cargas que garante que o país continue em movimento.

Artigo de Marcelo Rodrigues, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (SETCESP), presidente do Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC) e vice-presidente regional da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP)

Fontes: Blog do Caminhoneiro e FETCESP/ Foto: Imagem de Google Gemini

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