O Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais- Setcemg vê com preocupação a escalada de preços dos combustíveis em decorrência do conflito no Oriente Médio, com aumentos descontrolados e oportunistas aproveitando da situação em alguns pontos do país, atingindo índices superiores a 20% sobre os preços anteriormente praticados.
Preocupa-nos, também, a possibilidade de racionamento e falta de diesel em algumas regiões, com limitações nas entregas de combustíveis por parte das distribuidoras.
Vivemos um momento em que precisamos dar a máxima atenção às nossas empresas e buscar preservá-las e mantê-las resilientes e em plena operação, sem abrir mão do lucro e da sua regularidade fiscal.
Soma-se a este cenário, a instabilidade política no país, agravada pelo populismo e pelo período eleitoral, escândalos financeiros, aumentos dos custos em função da reoneração da folha de pagamento, impostos adicionais, juros elevados e exorbitantes, insegurança jurídica nunca vista, com retrocessos e decisões equivocadas em todas as áreas, pressão sobre salários e na redução de jornada, falta de infraestrutura e de investimentos em estradas e armazéns, além da falta de paradas apropriadas para o descanso dos motoristas e de falta de segurança generalizada nas estradas.
O Transporte Rodoviário de Cargas, excluídas as cargas de minérios, supera em mais de 80% o volume da movimentação de cargas e, em algumas regiões, é o único modal capaz de abastecer e suprir as necessidades básicas.
Alertamos os embarcadores que o setor vem com defasagem de preços na ordem de 10,88 %, reflexo da aplicação inadequada de reajustes em função do diesel, desconsiderando propositalmente os demais custos, tudo isso agravado pelo aumento dos prazos de pagamento incompatíveis com os de nossos insumos e as atuais taxas de juros.
A tabela nacional de fretes implementada pelo governo, atendendo uma demanda da greve dos caminhoneiros, foi e é apenas uma referência de custos, à qual devem ser acrescidas as margens, os riscos operacionais e demais despesas. No entanto, a maioria dos embarcadores a adota como regra.
O diesel representa hoje, em alguns casos, até 45% do custo total do frete. As empresas não têm como absorver esses custos e não têm estrutura financeira para suportar prazos superiores a 28 dias para receber pelo serviço prestado. A curtíssimo prazo, estarão sem condições de operar e honrar seus compromissos.
O SETCEMG não apoiará e nem será a favor de paralisações de movimentos grevistas e insiste na necessidade de diálogos mais realistas e assertivos entre transportadores e embarcadores. O momento é oportuno para tomarmos medidas visando preservar a regularidade na movimentação de cargas e o abastecimento do mercado. É necessário pensar no futuro e fazer com que as parcerias sejam recíprocas e justas para ambos os lados.
O sindicato orienta os transportadores para que trabalhem firmemente em seus custos, entendam os riscos e as responsabilidades envolvidas em cada uma de suas operações e não aceitem fretes e prazos incompatíveis com sua capacidade, preservando assim sua saúde financeira, capacidade operacional e de renovação.
O Setcemg propõe aos transportadores solicitar e aplicar imediatamente reajustes emergenciais na ordem de 15% (quinze por cento) nos fretes, além de também trabalhar a redução dos prazos de pagamento (máximo de 28 dias) com repasse integral dos custos financeiros.
Temos total consciência de que o aumento do diesel e o consequente repasse aos fretes, provocam aumento de custos em cadeia, chegando ao consumidor final. Essa conta tem de ser de todos, e não apenas do transportador.
O momento exige prudência, muito diálogo e entendimento. O Setcemg se coloca à disposição das associadas, das autoridades e dos embarcadores para buscarmos juntos alternativas que minimizem os impactos nas empresas, nos embarcadores e na sociedade em geral, mantendo nosso compromisso com o abastecimento e a movimentação de nossas riquezas de forma eficiente e com preços justos.
Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais – SETCEMG
Belo Horizonte, 17 de março de 2026
