O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), Antônio Luís da Silva Júnior, acrescenta que além da diversificação, as empresas estão munidas de mais tecnologia contra roubos e têm alterado trajetos, fazendo uso de rastreador e monitoramento simultâneo o que também tem ajudado a inibir a ação dos bandidos.
Fato que estaria trazendo resultados positivos para a região do Vale do Aço, por exemplo. O roubo de cargas com maior valor agregado, como eletrônicos, celulares e eletrodomésticos, que tinham o Nordeste como destino, tem amenizado. “As empresas têm alterado rotas e usado outros tipos de transportes”, diz o presidente da Fetcemg, em consonância com Silva Júnior.
Para o presidente da Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais (Fetcemg), Gladstone Viana Diniz Lobato, o setor percebe que a marginalidade tem diversificado e mudado a atuação tanto de rotas, quanto de produtos roubados.
Na avaliação de Lobato, outro motivo que tem levado os bandidos a reduzir a ações no Vale do Aço, são as obras nas rodovias. “Hoje, para Ipatinga, você para muito na BR-381 devido às obras, e os bandidos não querem ficar parados, querem desovar a carga logo”, pontua.
O vice-presidente de inteligência de mercado da nstech, Mauricio Ferreira, acrescenta outro fator. Segundo ele, estados de economia pujante como São Paulo e Minas Gerais, possuem regime de segurança mais robusto, que priorizam o setor. “O bandido aproveita a vulnerabilidade de outros estados e muda de alvo”, justifica.
Em contrapartida, o presidente da Fetcemg alega que aumentou na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), o roubo de bebidas. “A criminalidade é assim, ela age rápido e vai se reinventando”, comenta.
Na diversificação de produtos, Lobato cita os roubos de café no Norte de Minas, como novidade. “Estamos registrando roubo de café por lá, o que antes víamos acontecer apenas no Sul de Minas”, revela.
Para o presidente do Setcemg, a atual situação da economia também teria contribuído para a queda dos prejuízos no primeiro semestre. “Estamos com uma economia mais travada, mas o roubo de cargas está crescendo e os números devem aumentar no segundo semestre em função do e-commerce e das vendas de Natal”, diz.
Algumas cargas, no entanto, permanecem como alvos tradicionais da ação criminosa, como os combustíveis na RMBH; o cigarro no Triângulo Mineiro, além dos defensivos agrícolas em todo o Estado.
Mudanças de rotas
Prova da mudança de atuação das ações criminosas é o aumento em 5,5 p.p. de prejuízos registrados entre janeiro a junho de 2025 na região Nordeste do País. Ocupando o segundo lugar no ranking das regiões mais prejudicadas, a região respondeu por 21,3% dos prejuízos, ante os 15,8% registrados no mesmo período em 2024.
O vice-presidente de inteligência de mercado da nstech, Mauricio Ferreira, chama atenção para o aumento do número de ataques bem-sucedidos ou não. Há três semestres consecutivos, o relatório trazia queda no número de tentativas e neste semestre, houve alta de 24%. “Importante este dado para as empresas ficarem atentas que os criminosos continuam usando o roubo de cargas como fonte de renda”, alerta.
Ferreira destaca ainda outro dado relevante. Quando observado apenas o mês de junho de 2025, o Rio de Janeiro concentrou 56,6% dos prejuízos mensais, enquanto São Paulo registrou queda significativa, com apenas 3,7% do prejuízo. “É um movimento atípico, visto que São Paulo liderava o mês em 2024, com 48,7% dos prejuízos”.
O Rio de Janeiro, ressalta Ferreira, é um caso à parte e os bandidos estão atuando muito por lá. O estado permanece com tendência de crescimento, como já vinham sinalizando os relatórios anteriores desde 2024. Um problema que acaba interferindo na economia dos outros estados. “Tanto o frete como o preço de seguro para mercadorias destinadas ou que passam pelo Rio de Janeiro ficam cada vez mais caros, o que, no fim, impacta na gôndola para os consumidores finais. Em especial, produtos alimentícios, que são os mais visados pelas quadrilhas que atuam no estado carioca”, analisa.
No caso do Rio de Janeiro, o presidente da Fetcemg comenta que a situação é tão crítica que caminhoneiros de caminhão baú, quando vazios, já atravessam o estado com as portas abertas para indicar que estão vazios.
Fonte: https://diariodocomercio.com.br/economia/minas-gerais-queda-prejuizo-roubo-cargas/
