Por Herbert Kaiser e Carlos Augusto Silveira (FABET)
Com uma frota de aproximadamente 2,18 milhões de equipamentos (caminhões, reboques, semi-reboques e veículos de apoio) e malha rodoviária de 1,90 milhões de quilômetros, o TRC participa com 6% no PIB brasileiro.
O Transporte rodoviário de cargas no Brasil, transita há muito tempo num ambiente hostil. Roubo de cargas, acidentes, rodovias em péssimas condições, carga tributária elevada, falta de motorista, concorrência predatória e gestão econômica (custos) inadequada, comprometem sensivelmente os resultados das empresas, pois provoca:
• perdas de receitas;
• redução das margens/lucro nas operações;
• aumento dos custos.
O planejamento e o controle das operações de transporte está cada vez mais sendo exigido no dia-a-dia, para auxiliar os gestores na busca de melhores resultados. “Cuidar” da viagem procurando torná-la 100% perfeita, é a ultima fronteira para maximizar os lucros e/ou minimizar os custos.
Seguindo o raciocínio, apresenta-se sugestão de procedimento que pode oferecer visibilidade (indicadores), contribuindo para que a viagem seja lucrativa e rentável.
Anteriormente foi apresentado a equação que dimensiona o custo da viagem no TRC (apenas considerando os insumos de transporte consumidos pelo caminhão na operação de transporte, ou seja: não está sendo adicionado pedágio, seguro da carga, despesas com carga e descarga, etc), conforme evidenciado a seguir:

Sendo,
Cvg = custo da viagem.
CF = custos fixos (R$ mês).
TE = tempo de deslocamento até o local para carregamento (em horas).
TAC = tempo para aguardar e carregar (em horas).
Kmvg = quilometragem total da viagem (incluindo a distância de deslocamento do caminhão até o local para carregamento).
Vm = velocidade média.
Tr = tempo de repouso (em horas).
TAD = tempo para aguardar e descarregar (em horas).
Cv = custos variáveis (R$/Km).
Β = taxa de utilização do caminhão (%)
Deseja-se um custo da viagem que represente um % (Ω) em relação a receita bruta do frete, sendo assim:


Portanto, a equação que define qual a velocidade média que o caminhão precisa se deslocar, para se atingir um objetivo (nível) de custos desejado é apresentado a seguir:


Vamos ao exemplo para assimilação do cálculo:
Área comercial da empresa de transporte “fechou” um frete no valor de R$ 5.583,74 e para que este frete seja lucrativo, o custo da viagem deve ser no máximo 70% (Ω) do valor da receita (frete). Pergunta: Qual a velocidade que o caminhão deve se deslocar para atender o custo desejado, sabendo-se:
• Kmvg = 600 Km
• Tempo de deslocamento (TE) = 2 horas
• Tempo para aguardar e carregar (TAC) = 2 horas
• Tempo de repouso (Tr) = 12 horas
• Tempo para aguardar e descarregar (TAD) = 2 horas
• Taxa de utilização do caminhão no mês (β) = 80%
• Dias disponíveis do caminhão no mês (DD) = 29 dias
• Horas disponíveis do caminhão por dia (Hd) = 24 horas
• Custos fixos (CF) = R$ 30.000,00 mês
• Custos variáveis (Cv) = R$ 4,00 por Km
• Frete da viagem (FRvg) = R$ 5.583,74
• % custos da viagem em relação ao valor do frete (Ω) = 70%


𝑂s resultados estão evidenciados na tabela a seguir.


Gestor de transportes e frotas: importante não esquecer, que caminhão – trator trucado com semi-reboque carga seca 3 eixos, com taxa de utilização de 70% (504 horas mês), apresenta custo fixo por hora de aproximadamente R$ 55,00.
Caminhão parado por 1 hora apenas, vai exigir a busca de receita, para cobrir somente este custo, no valor de R$ 79,00. Tempo é dinheiro: sempre foi!
A velocidade média influencia no tempo de viagem (caminhão em movimento), portanto estabelecer tempo – padrão para deslocar, aguardar e carregar, viajar, descansar e aguardar e descarregar o caminhão e a carga, vai contribuir na busca de eficiência/produtividade.
Li em algum lugar: “Só alcança o sucesso quem planeja o caminho e age estrategicamente.”
