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Frete Justo: o equilíbrio entre o preço competitivo e o preço sustentável

POST-FRETE-JUSTO-ARTIGO-OUT2025

Por Carlos Augusto Silveira

O transporte rodoviário de cargas (TRC) é a espinha dorsal da logística e da economia brasileira. Participa com 65% na matriz de transporte de cargas no Brasil, onde atuam 740 mil autônomos, 260 mil empresas de transportes e 500 cooperativas, contando com uma frota disponível de aproximadamente 2,8 milhões de caminhões, reboques e semi-reboques.

A flexibilidade em estruturar rotas objetivando a otimização no transporte “porta a porta”, a agilidade no atendimento de curtas e médias distâncias e a versatilidade quanto a diversidade de equipamentos existentes, são os pontos de destaques deste modal.

Muitos são os desafios do TRC no Brasil, como: – furto/roubo de cargas; acidentes nas rodovias; malha rodoviária em péssimas condições; falta de motoristas; gestão econômica inadequada das empresas prestadoras de serviços de transporte rodoviário; carga tributária e o frete predatório.

Frete Predatório x Frete Justo

A prática do “frete predatório”, que consiste na cobrança de valores de frete abaixo dos custos operacionais mínimos, é uma das questões mais graves e danosas do transporte rodoviário de cargas no Brasil. As consequências são profundas e afetam toda a cadeia logística.

Aceitar um frete que não cobre nem os custos operacionais (depreciação, diesel, manutenção do veículo, lubrificantes, lavação, remuneração do motorista, encargos sociais e previdenciários, seguro, pneus, etc), o prestador de serviço de transporte opera no prejuízo, levando a um estágio severo de endividamento.

A prática destrutiva do frete predatório acarreta:

  • Sucateamento da Frota: com recursos escassos para a manutenção adequada, os veículos começam a se deteriorar. Caminhões rodam com pneus carecas, freios desgastados e problemas mecânicos, o que aumenta o risco de acidentes e quebras na estrada.
  • Desvalorização do Trabalho: A prática deprecia o trabalho do motorista profissional. Jornadas exaustivas são impostas para tentar compensar o baixo valor do frete, levando ao esgotamento físico e mental, e a uma sensação de que seu trabalho não tem valor.
  • Aumento do Risco de Acidentes: Veículos sem manutenção adequada, somados a motoristas cansados por jornadas excessivas, são uma combinação mortal. Certamente, a prática do frete predatório está diretamente ligada ao aumento de acidentes graves nas rodovias brasileiras.
  • Concorrência Desleal: Empresas que cumprem a legislação, pagam seus impostos em dia, investem em manutenção da frota e na qualificação de seus motoristas não conseguem competir com preços artificialmente baixos, criando um ambiente de concorrência desleal que pode levar empresas sérias à falência.
  • Perda de Qualidade no Serviço: A qualidade da entrega, o cumprimento de prazos e a segurança da carga ficam seriamente comprometidos.
  • Para a Economia e a Sociedade: Os acidentes gerados pela precarização do transporte têm um custo altíssimo para a sociedade, que arca com despesas médicas, previdenciárias (pensões por invalidez ou morte) e com os danos materiais.
  • Sonegação Fiscal: Muitas vezes, a prática do frete predatório está associada a esquemas de sonegação fiscal para tentar viabilizar a operação deficitária, o que prejudica a arrecadação do governo.
  • Canibalização do Mercado: A oferta de fretes com valores abaixo dos custos força outros a baixarem seus preços para não ficarem parados, contaminando todo o mercado e estabelecendo um padrão de remuneração insustentável a longo prazo.

Frete justo é aquele que equilibra a sustentabilidade financeira da transportadora, ou seja, um valor de frete que permita cobrir os custos, as despesas, os impostos incidentes sobre a receita e o lucro e gerar uma rentabilidade justa.

Praticar o frete justo vai exigir:

  • Conhecimento e cálculo assertivo dos custos (custos fixos e variáveis; custos diretos e indiretos; custo de oportunidade; custos controláveis e não controláveis),
  • A busca pela otimização das operações – produtividade (produzir mais, gastando menos),
  • Investimento em tecnologias (roteirizadores, TMS, telemetria),
  • Combate “feroz” contra as anomalias e a não-qualidade no transporte (multas, ociosidade estática e ociosidade dinâmica, excesso de peso, excesso de velocidade, manutenção inadequada, planejamento tributário inadequado, etc),
  • Avaliação de Desempenho através de bons KPIs (lucratividade, rentabilidade, pontualidade nas entregas, sinistralidade, acuracidade na emissão de documentos de transporte, margem de contribuição, ponto de equilíbrio, pay back),
  • Boas estratégias de negociação e alianças estratégicas com outras transportadoras, operadores logísticos, instituições de ensino e sindicatos.

Você empreendedor que pensa em formar frotas rodoviárias e não faz uma pesquisa de mercado adequada, através de um Business Plan, buscando entender o mercado e concorrentes, verificar a viabilidade financeira do negócio e como estruturar a operação logística, corre sério risco de ser mais um que prejudica o setor de transporte, praticando o frete predatório acreditando que está sendo competitivo: é pura ilusão.

Lembre-se: “Frete justo não é gasto, é investimento na qualidade e segurança da sua empresa”.

Comments (1)

É isto ai, retrato do que esta ocorrendo em várias áreas do transporte em nosso país, canibalização do frete, inclusive por grandes transportadores que trabalham com terceiros e agregados,, pagam frete irrisório, bancam prazos longos para as industrías ou embarcadores, sugam o trabalho dos prestadores de serviço ,se dão bem e estão exterminando com a Gaaaaaalinha de Ovos de Ouro.
Tem grandes players no mercado que tem dinheiro e plataformas, mas não tem um único caminhão, estão levando a prestação de serviço de transportes para o Caos!
Este Editorial é um chamado a Reflexão!
Parabens!

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