O balanço de 2021 é positivo e a expectativa para o próximo ano é de crescimento com a melhora das taxas relacionadas a pandemia. Essa é a expectativa de Vander Costa, Presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), em entrevista exclusiva ao Núcleo de Comunicação do Setcemg.
Qual o balanço o senhor faz de 2021?
O balanço de 2021 tem que ser uma visão positiva. Se lembrarmos que há um ano estávamos com a pandemia no auge, não sabíamos se teríamos vacina, e, hoje, conseguimos vacinar a maior parte da população brasileira. Quem quis tomar a primeira dose já tomou, e a segunda dose já está chegando a números significativos. Isso traz um reflexo positivo nas estatísticas. Cada vez menos pessoas morrem ou são internadas.
Isso significa que podemos voltar ao normal. Significa que podemos ter esperança em um transporte de passageiros mais efetivo e, dessa forma, o turismo possa receber as pessoas. Isso é importante para nossa categoria porque transportamos pessoas e coisas, os nossos caminhões vão abastecer bares e restaurantes.
O transporte de cargas não parou, o índice de queda foi menor apenas em um mês. A média do transporte de carga é um crescente. Hoje empregamos mais pessoas que antes da pandemia. O transporte de passageiros ainda sofre, mas está em recuperação significativa. Isso mostra que a economia vai crescer.
E as expectativa para 2022?
Sou otimista para 2022, não acho que vai ser um crescimento como Paulo Guedes diz, mas vai ser um crescimento maior do que está publicado no mercado financeiro. Acredito em 1% e 2%. O Brasil tem indicadores para isso. Apesar de discutir a Proposta de Emenda Constitucional dos Precatórios, os números mostram que houve redução do endividamento. Em 2022, vamos fechar com superávit primário porque o governo aumentou a arrecadação e conseguiu reduzir gastos, principalmente com a previdência. O risco Brasil, de fato, não existe.
E a questão dos aumentos constantes do diesel que tanto impactam no transporte?
No transporte precisamos de uma economia crescendo, pois assim as pessoas se movimentam. Falta equacionar o problema do diesel. A solução está nas mãos do ministro e do presidente. Tem que saber comunicar. O governo precisa falar com fundamentação, trazendo tranquilidade ao mercado financeiro. Se o dólar cair, naturalmente o diesel vai cair. Não conseguimos controlar o preço do petróleo, mas conseguimos derrubar o dólar de forma natural. Comunicando com o mercado, dando tranquilidade. Acredito que a melhor maneira de crescer é investir em obras, nas privatizações, na infraestrutura. Assim, é preciso deixar o ministro da Infraestrutura Tarcísio Freitas fazer o leilão das rodovias, quando isso virar obras e contratação, teremos um crescimento contínuo.
Quais são as principais pautas do transporte para 2022?
O transporte de carga tem algumas pautas a serem discutidas. Temos que ter cuidado em relação ao Documento Eletrônico de Transporte (DT-e). Isso nos preocupa muito, no discurso ele vem para substituir todos os documentos, mas na prática vem criar obrigações e custos. Tem que estar atento à reforma tributária, são 200 ou 300% de aumento. Tem que avançar nas reformas trabalhistas. Dar segurança ao trabalhador e não trazer ônus desnecessários ao empregador. É essa a linha que a CNT defende no debate com o Ministério do Trabalho. Sem querer fazer da norma do trabalho uma indústria de multa.
A cada nova legislação, a cada nova proposta, estamos atentos para acompanhar. A CNT coordena a pauta que tem que sair das bases. Preciso ouvir as reivindicações e concluir o que for possível.
