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SEST SENAT Summit: fator humano e segurança definem a nova era digital do transporte

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A transformação digital no setor de transporte está avançando em um ritmo sem precedentes. Se antes as inovações levavam décadas para se consolidarem, hoje o ciclo médio caiu para dez anos, e a tendência é reduzir ainda mais, para cinco ou até três anos. Essa velocidade impõe a necessidade urgente de compreender e garantir o uso seguro das novas tecnologias.

A avaliação foi feita pelo diretor de Tecnologia da CyberArk Latam, Claudio Neiva, durante a palestra “Cibersegurança na era da transformação digital e da IA no transporte”, realizada nessa terça-feira (12), no primeiro dia do SEST SENAT Summit 2025, em São Paulo (SP).

Segundo Neiva, a segurança da informação deixou de ser um assunto restrito à área técnica para se tornar uma questão estratégica, capaz de impactar diretamente a sustentabilidade dos negócios. Um incidente pode gerar perdas financeiras relevantes e até responsabilização criminal.

O especialista lembrou que, a partir de 2014, com a popularização da computação em nuvem, as empresas passaram a prototipar e testar soluções tecnológicas em ritmo acelerado. A IoT (Internet das Coisas), antes considerada um conceito distante, já está integrada a áreas como veículos autônomos e sistemas de monitoramento no transporte, que produzem grandes volumes de dados e abrem novas oportunidades de negócios. Nesse cenário, a IA (inteligência artificial) tem papel central, processando informações e apoiando decisões estratégicas.

Apesar disso, ressaltou Neiva, a IA não substitui o fator humano, especialmente diante de “decisões ambíguas”, situações que não têm resposta única ou puramente baseada em dados e que exigem julgamentos complexos envolvendo ética, contexto social e valores humanos.

Ele também alertou para o uso malicioso da tecnologia. Cibercriminosos, mesmo sem conhecimento técnico avançado, já utilizam a IA para executar ataques cada vez mais sofisticados.

“O aumento da complexidade tecnológica cria uma grande superfície de ataque, ampliando os pontos vulneráveis que podem ser explorados, o que torna imprescindível que as empresas adotem estratégias para garantir a segurança e, sobretudo, a resiliência.”

Segundo ele, a segurança absoluta não existe, mas é essencial estar preparado para detectar, responder e se recuperar rapidamente de incidentes, reduzindo ao máximo seus impactos. Para isso, as organizações precisam alinhar-se a regulamentações, como a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), e investir tanto em governança e cultura organizacional quanto no uso estratégico das tecnologias.

Ele ressaltou que o modelo tradicional de confiança, baseado na localização física e na hierarquia corporativa, tornou-se insuficiente no ambiente digital. Hoje, vigora o conceito de “confiança zero” (zero trust), no qual a identidade digital de cada dispositivo, usuário ou sistema é o elemento central. Nesse modelo, todo acesso a dados deve ser rigorosamente controlado e limitado ao mínimo necessário para a execução de cada função.

O palestrante citou exemplos já presentes no setor de transporte, como o uso intensivo de dispositivos com GPS, veículos elétricos conectados por 5G e drones. No entanto, observou que a ausência de regulamentação específica no Brasil ainda freia a adoção de inovações, como táxis aéreos, comuns na China, ou frotas totalmente autônomas.

Neiva concluiu que a segurança da informação deve ser incorporada desde a concepção de qualquer processo inovador, protegendo todo o ecossistema, inclusive a cadeia de suprimentos, e garantindo que o transporte evolua de forma sustentável, confiável e segura.

Neurociência e inteligência artificial

A tomada de decisão é um processo profundamente emocional, e entender essa dimensão é essencial para integrar a inteligência artificial de forma humana e eficaz. Essa foi a mensagem central da palestra “Como usar a neurociência e a IA na tomada de decisão”, ministrada pela neurocientista e CEO da Ilumne, Carla Tieppo, na qual ela abordou os desafios que a tecnologia e as tensões do mundo atual impõem ao cérebro humano e às nossas escolhas diárias.

A partir do conceito de “superciclo tecnológico”, definido por Amy Webb, que combina biotecnologia, computação quântica, inteligência artificial, robótica e Internet das Coisas, Carla Tieppo destacou que perdemos o monopólio da inteligência e do desempenho. Hoje, humanos e máquinas competem nesse quesito em um cenário complexo de tensões globais, como crises econômicas, mudanças climáticas, disputas geopolíticas e dilemas pessoais, como a pressão pelo desempenho constante e a incerteza do futuro.

Nesse contexto, a palestrante chamou a atenção para a síndrome BANI (sigla em inglês para Fragilidade, Ansiedade, Não Linearidade e Incompreensibilidade), que define a sociedade atual, na qual o cérebro humano é o mesmo há 50 mil anos, portanto encontra dificuldades para lidar com a velocidade e complexidade dos desafios modernos. “O nosso cérebro funciona com predição e redundância, mas, sob pressão contínua, perde a capacidade criativa que o mundo atual exige.”

Reforçando essa ideia, a neurocientista apresentou o experimento “Iowa Gambling Task”, que revela como as emoções guiam nossas decisões. Por isso, a qualidade dessa tomada de decisão está diretamente ligada ao equilíbrio emocional do indivíduo.

Outro ponto relevante da palestra foi a discussão sobre a “síndrome da solidão” e a dificuldade crescente de convívio social, que afetam negativamente o ambiente de trabalho e o potencial coletivo. Ela alertou que a competição individualista em busca de ganhos rápidos pode minar a colaboração e a inovação, desafios que só serão superados com ambientes que despertam novamente o desejo humano de se conectar e criar juntos.

Por fim, Carla Tieppo defendeu a necessidade de um “superciclo humano” em que a criatividade, curiosidade, adaptabilidade e flexibilidade cognitiva serão as principais forças para agregar valor. Essas são algumas capacidades que a IA, que não tem dores nem desejos humanos, não pode substituir.

Além da inteligência artificial, a racionalidade humana deve saber levar as emoções para onde elas fazem a diferença, preservando o que há de mais humano na tomada de decisões. “No fim, o que importa é que nossa racionalidade leve as emoções aonde elas precisam”, concluiu.

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Fonte: Agência CNT Transporte Atual

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