ANTÔNIO LODI, DIRETOR DO SETCEMG, PARTICIPA DO SEMINÁRIO DE EMERGÊNCIAS AMBIENTAIS 2020

Na quarta-feira (24), a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), em parceria com a Comissão Estadual de Prevenção, Preparação e Resposta Rápida a Emergências Ambientais com Produtos Perigosos (CE P2R2Minas), realizou o segundo dia do Seminário de Emergência Ambiental 2020, que neste ano foi on-line. O tema central foi o “Gerenciamento de Riscos à Saúde e ao Meio Ambiente em Tempos de Pandemia”, em consonância com o momento de crise sanitária vivido atualmente em decorrência do novo coronavírus.

Na abertura do evento, a diretora de Instrumentos de Gestão e Planejamento Ambiental da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), Patrícia Maciel, agradeceu o empenho de todos os envolvidos, palestrantes e, em especial, à equipe da Fundação , por meio da sua gerente Wanderlene Nacif, que tornaram o evento possível.

TRANSPORTE DE CARGAS

Com o tema “A gestão e a redução dos riscos de acidentes ambientais em situação de pandemia: boas práticas adotadas pelas transportadoras”, as ações das empresas de transporte no combate ao coronavírus, na dos colaboradores e no atendimento à legislação ganharam destaque no evento.

O diretor do Setcemg, Antônio Lodi, que também é coordenador da COMJOVEM BH e Região e diretor Financeiro da Transportadora Andrade, apresentou o trabalho desenvolvido em sua empresa, que realiza transporte rodoviário de produto perigoso.

Além de estar sempre atento à legislação que rege o seu negócio, o empresário desenvolveu novas ações, com foco na proteção dos colaboradores e melhoria de processos. “O novo cenário, com a pandemia pela Covid-19 nos obrigou a repensar a forma de trabalho. Entre as boas práticas que adotamos na empresa, colocamos três pontos fundamentais: a capacitação dos colaboradores, os procedimentos de manutenção e a operação e logística”, afirmou.

Com a recomendação de distanciamento social e tendo o transporte como bem essencial, Lodi viu a necessidade de manter os profissionais ainda mais capacitados. “Já tínhamos um projeto de capacitação e implementamos mais rapidamente a versão digital, na qual os nossos motoristas podem realizar os treinamentos de qualquer lugar, precisando apenas de um smartphone e acesso à internet. Depois, eles passam por uma avaliação para identificarmos pontos que foram absorvidos e o que precisa ser melhorado.  Além disso, usamos a parceria do Sest Senat, que tem a plataforma de cursos EaD e também oferece aqueles cursos que antes era presenciais em uma plataforma digital. O momento acabou trazendo a inclusão digital para nossos colaboradores”, detalhou.

A legislação de atendimento a emergência ambiental também foi foco nas melhorias. “Teve um trabalho intenso em cima do Plano de Atendimento a Emergências (PAE) junto com os colaboradores”, destacou.

Um check list diário, ações de prevenção recomendadas pelos órgãos de saúde e a diminuição do uso de papel também foram pontos realizados na empresa. “O momento trouxe ainda a possibilidade de verificar os procedimentos – se eles estavam adequados para a operação e em conformidade com a legislação –  e a adaptação dos projetos para a nova realidade”, completou.

O cuidado com o trabalhador também teve atuação intensa. “Reforçamos o nosso trabalho de cuidado junto aos colaboradores, que é feito com psicólogos da empresa, já que muitos estão inseguros com relação ao momento que estamos enfrentando”, disse. “Outro ponto importante para observar é o controle da jornada do motorista, mencionado no debate de ontem (23/06). Já tínhamos esse controle e pudemos implementar novas formas de controle, bem como rever conceitos para fazê-lo e digitalizá-lo. E essas são só algumas das ações que adotamos, que podem ser utilizadas não só no transporte, mas também na indústria e no comércio”, completou.

Comitê de crise pode ser alternativa

O executivo de negócios e relações institucionais do Grupo Cesari Logística, vice-presidente da Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP) e diretor da Associação Brasileira de Materiais Explosivos e Agregados (ABIMEX), Sérgio Sukadolnick, também apresentou o plano de contingenciamento do grupo no combate ao coronavírus durante a operação.

“Como o transporte é um bem essencial, o nosso primeiro passo foi elaborar um comitê de crise. Como temos uma clínica médica no local, isso facilitou um pouco o trabalho”, disse.

Todas as medidas recomendadas de proteção para o trabalhador foram adotadas, como distanciamento social, horários alternados para refeição, medição de temperatura, utilização de máscaras, higienização dos veículos, entre outros. “Estamos fazendo uma constante campanha de conscientização dos colaboradores, para levarem esses novos hábitos também para suas casas e não só na empresa, afirmou.

“Para prevenir acidentes, a dica é ter a certificação SASSMAQ, que aborda quase todos os itens da legislação de transporte de produtos perigosos, bem como a ISO 9001, ISO 14001 e ISO 39001”, recomendou.

PALESTRAS

Na palestra “Aspectos técnicos e criminais da Lei n° 22.805/19 e do Decreto Estadual n°47.629/19 no contexto das Emergências Ambientais”, o chefe da seção técnica de perícias de meio ambiente da Polícia Civil de Minas Gerais, Rodrigo Henrique Alves, falou sobre a legislação ambiental do estado de Minas Gerais e sobre a responsabilidade em caso de acidente ambiental envolvendo o transporte de produto ou resíduo perigoso. O palestrante explicou a diferença do acidente ambiental e da emergência ambiental, bem como a diferença de produto perigoso, resíduo perigoso.

Na palestra “Programa de Gerenciamento de Riscos para a BR-381 no trecho em duplicação no Estado de Minas Gerais”, o engenheiro que coordenou e supervisionou diversas obras, bem como a execução de Programas Ambientais para as obras da BR-381/MG, Bertoldo Costa, trouxe um pouco de como foi realizado o estudo para a elaboração do plano de contingência que contempla a BR-381, no trecho de duplicação entre Belo Horizonte e Governador Valadares, somando 308 km.

O trecho contempla 27 municípios, sendo 15 pertencentes a Região do Vale do Rio Doce. “Todo o traçado da via, população do entorno, bacias hidrográficas e vegetação foram consideradas no estudo, que usou como base o georreferenciamento”, disse.

A análise desses dados envolveu também o número de acidentes com produtos e resíduos perigosos ao longo da rodovia. “Usamos todas as cartas de georreferenciamento e possibilidades de impacto socioambiental, e assim chegamos no plano de gerenciamento de riscos para a duplicação da BR-381”, completou. “O objetivo do estudo é sempre mitigar os riscos”, destacou.

DEBATE

Após a palestra, a assessora juridicoambiental do Setcemg e da Fetcemg, Juliana Soares, mediou o debate. A advogada iniciou sua fala agradecendo a presença de todos os participantes, organizadores e dos palestrantes pelo evento e compartilhamento de conhecimento, que foi tão produtivo e intenso nos dois dias de evento. “É sempre um prazer participar do Seminário, que é muito aguardado por todos os integrantes da CE P2R2 Minas, que eu, em nome da Fetcemg, participo desta comissão que é tão atuante no estado. Creio que as palavras do Antônio Lodi e do Sérgio Sukadolnick foram reconfortantes para quem participou do primeiro dia do evento (quarta-feira, 23/06), quanto à preocupação com a saúde e cuidados com os motoristas, que não pararam durante a pandemia”, concluiu.

 

Se você não assistiu às palestras e quer ver, acesse o canal do Youtube Meio Ambiente Minas Gerais

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