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Diretor do Setcemg fala sobre impactos da chuva no transporte

Por RAFAELA MANSUR

30/01/20 – 08h00

As chuvas que atingiram Minas Gerais nos últimos dias devastaram lavouras e danificaram estradas, elevando os preços de hortifrútis para estabelecimentos e consumidores finais. O tomate foi o que mais encareceu: aumentou 34,6% na unidade Grande BH das Centrais de Abastecimento (Ceasaminas), na região metropolitana, no período de 23 a 29 de janeiro, em comparação com os sete dias anteriores. Portanto, antes dos temporais. Pepino (27,8%), chuchu (20%) e batata (12%) são mais alguns exemplos de produtos que encareceram imediatamente após as fortes chuvas dos últimos dias. A expectativa é que alimentos como carne e leite também fiquem mais caros.

“Os hortifrútis são culturas muito sensíveis a qualquer excesso ou falta de água. Com essa grande quantidade de chuva, há uma redução da produtividade e da qualidade. A Ceasa já está recebendo menos produtos do que nas semanas anteriores, e a gente percebe nas gôndolas que os preços aumentaram muito”, afirma o analista de agronegócios da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Caio Coimbra.

O gerente comercial da Hortifruti Camponês, localizada na Ceasa, Jorge Medeiros, diz que os preços de produtos como abobrinha italiana, vagem rasteira e couve-flor também subiram. “A chuva impacta a produção, atrasa e dificulta os plantios, e muitos produtores perderam lavouras inteira por causa de enchente. Ainda temos mercadoria para oferta, mas eu acredito que vai haver desabastecimento daqui a cerca de um mês”, disse, ressaltando que a qualidade dos produtos caiu com as chuvas: “Afeta muito a durabilidade da mercadoria nas bancas”.

O repositor de um sacolão no bairro São Luiz, na região da Pampulha, Hebert Reis, diz que o tomate passou de R$ 4,99 para R$ 7,99 no estabelecimento desde o início das chuvas, uma alta de 60%. “Ainda não fomos tão atingidos, porque temos estoque, mas o próximo carregamento, com certeza, vai vir mais caro, e teremos que repassar para o consumidor”, afirma. Segundo ele, o sacolão já vem recebendo menos quantidade de coentro, salsinha e couve.

Conforme Caio Coimbra, da Faemg, a regularização da oferta demanda tempo e, por isso, o restabelecimento dos preços pode demorar de um a dois meses: “Se a água invade, pode destruir lavouras no curto prazo, principalmente as de couve, alface e cebolinha, que são mais sensíveis. A água tem que baixar e tudo secar para o plantio”.

Outros produtos. Além de impactos nas plantações, a chuva tem provocado danos nas estradas e pontes, dificultando o transporte de cargas. Segundo Coimbra, pecuaristas estão sofrendo com a falta de ração para aves e suínos, o que pode contribuir para que os preços das carnes também cresçam. “O alimento para o rebanho não está chegando com a frequência normal, por causa das estradas e dos acessos alagados”, diz. “Outro produto que vai ficar mais caro é o leite, por causa da falta de insumo para a alimentação das vacas”, conclui. O barro nos pastos também prejudica a produção leiteira.

De acordo com o diretor-secretário do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de Minas Gerais (Setcemg), Ulisses Martins, os impactos provocados pela chuva causam atrasos nas entregas e custos adicionais de armazenagem. Dependendo do caso, os valores podem ser absorvidos pelas próprias transportadoras. “Em Nova Era (região Central), por exemplo, houve enchentes, e a ponte ficou intransitável por um período. Há um desvio por fora, de 3 km ou 4 km, e ninguém cobra a mais por isso”, afirma.

Fonte: O Tempo – 30/01/2020

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