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O desafio do Ir e Vir Seguro nas estradas

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Uma força-tarefa pela informação acessível e em tempo real para os motoristas

 

A falta de informação sobre rodovias com interdições totais ou parciais durante o período de chuvas no início dos anos 2021 e 2022 causou transtornos incalculáveis para as empresas de transporte rodoviário de cargas de Minas Gerais. Atenta a esse cenário, a diretoria do SETCEMG lançou, em outubro de 2022, a campanha Ir e Vir Seguro, uma força-tarefa entre transportadores e os principais órgãos relacionados ao trânsito, segurança e infraestrutura rodoviária no Estado em uma ação educativa e de compartilhamento de informações de modo a antecipar os problemas que poderiam surgir com a chegada de uma nova estação de chuvas nas nossas estradas.

Por Helena Costa, Isabella Antunes e Marina Lemos

Arte: Nathália Lima

Imagine que você é um motorista e vai passar pela rodovia LMG-614, no trecho entre as cidades mineiras de Divisa Alegre e Divisópolis, no Vale do Jequitinhonha. No entanto, ao chegar em determinado ponto, percebe que a rodovia foi totalmente interditada após fortes chuvas que ocorreram no local, o que acabou ocasionando o rompimento de bueiros.

Para os motoristas que iam de Divisópolis em direção a Salinas e Teófilo Otoni, a rota recomendada foi seguir pela LMG-610, trafegando por 20 km de rodovia pavimentada e outros 46 km não pavimentados, passando pelo povoado de Araçagi até Pedra Azul. Depois, acessar a CMG-251, até o entroncamento da BR-116. Nesta rota, o acréscimo foi de 80 km no trajeto.

Já para quem ia para Vitória da Conquista, na Bahia, a partir de Divisópolis, a opção foi seguir pela LMG-610, até o entroncamento da BA-635, sentido ao município baiano de Encruzilhada, seguindo pela BA-270, até o entroncamento da BR-116. Este trajeto é realizado em 74 km de trecho não pavimentado.

Essa difícil situação foi vivenciada por todos os motoristas que passavam por esse trecho em dezembro de 2022, segundo informações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). E, certamente, ao se depararem com a situação, os motoristas precisaram apenas acessar um mapa pelo smartphone para ver onde estavam e porque o trânsito estava impedido e, ainda, poderiam ver por onde poderiam seguir viagem em segurança. E mais: tinham em suas mãos o poder de reportar aos órgãos de segurança sobre a situação.

No entanto, nem sempre foi assim. Durante o período chuvoso de 2021, o setor de transporte rodoviário de cargas esteve à beira de um colapso em Minas Gerais. De acordo com um estudo realizado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), sobre as condições meteorológicas em novembro-dezembro de 2021 na região do Sul da Bahia e Norte de Minas Gerais, naquele período, choveu até 300 mm acima da média. As chuvas provocaram inundações que levaram a vida de 33 pessoas. Em um local, foram registrados 500 mm de chuva em apenas 48 horas. Em algumas partes dessas regiões, a precipitação mensal em dezembro de 2021 ficou entre 250% e 430% acima da média. As fortes chuvas desencadearam inundações extremas, afetaram cerca de 500 mil pessoas e levaram ao colapso duas barragens, causando enormes perdas econômicas somente naquela região. O cenário foi pior: choveu em todo o estado naquele ano, com consequências catastróficas em diversas regiões.

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Um caminhão carregado se deparar com uma barreira na estrada significa prejuízo – atraso na entrega, desvios que representam aumento de custo do transporte com combustível e hora trabalhada, perda da carga em alguns casos, entre outros aspectos. Para o transportador que lida com prazo e custos apertados, ter previsibilidade na operação é fundamental.

“As rodovias tiveram um grande impacto naquele período e todo o setor de transporte sentiu o impacto. Ainda estávamos no período de pandemia e nossas estradas ficaram arrasadas. Os principais órgãos públicos estavam trabalhando no regime de home office e não tínhamos muitas informações oficiais sobre os pontos de interdição – se eram parciais, totais ou permanentes – e tivemos vários problemas na administração das frotas”, conta o empresário Adalcir Lopes, diretor Operacional e Comercial da Transpeciais e diretor do SETCEMG.

A partir desse desafio de falta de informação, o presidente do SETCEMG à época, Gladstone Lobato, com apoio da diretoria do Sindicato, idealizou uma campanha de comunicação e informação para as empresas associadas e a sociedade em geral, cujo objetivo era que a sociedade se mobilizasse para monitorar os eventos em consequência das chuvas e levar as informações para os parceiros envolvidos – os órgãos públicos relacionados ao trânsito e segurança – para dar agilidade às soluções.

O Ir e Vir Seguro nasce da urgência em oferecer informações aos motoristas profissionais e demais usuários das rodovias de forma ágil e em tempo real

 

O SETCEMG convidou a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), o Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e criou, então, o “Ir e Vir Seguro – no período das chuvas”. A campanha foi lançada na sede do SETCEMG no dia 29 de novembro, com a presença de todos os representantes dos parceiros, transportadores e dos principais veículos de imprensa do Estado. “Queríamos ser proativos. Nós, enquanto transportadores, estamos nas estradas a todo momento e, por isso, é nosso dever organizar e articular com os órgãos responsáveis pela segurança e trafegabilidade de nossas estradas. Isso também é uma forma de oferecer informações atualizadas para toda a sociedade sobre as condições das rodovias e ações educativas para a prevenção de acidentes”, destaca Gladstone.

Naquele mesmo ano, a sessão de Emprego Operacional do Comando de Policiamento Rodoviário da Polícia Militar de Minas Gerais (CPRv) já havia criado um mapa interativo com as interdições em Rodovias de Minas Gerais. Com a parceria do Ir e Vir Seguro, o CPRv disponibilizou o uso e divulgação da ferramenta e, ainda, aproximou-se da PRF e do DER-MG. “Tínhamos a ausência de base de dados sobre as rodovias no período de chuvas e queríamos criar historicidade. Quando chegou o período de chuvas 21/22, recebemos a demanda do Comandante do CPRv, Coronel Fábio, mas com a primícia de trabalhar dados reais, com a verificação in loco de que as situações eram fidedignas. O objetivo era que, em um prazo máximo de duas horas, as ocorrências de problemas nas vias fossem conferidas pelos policiais militares e federais, pelos departamentos responsáveis pelas rodovias e lançados nas plataformas de informação”, explica o chefe da sessão de Emprego Operacional do CPRv, Major Robson de Almeida Machado.

“A parceria com a PRF foi fundamental, pois a malha rodoviária do Estado é muito grande e muitas rodovias não são da nossa competência. O DER-MG também adotou o projeto e colocou seu pessoal para verificar a viabilidade da desinterdição com obras emergenciais. O SETCEMG, por sua capilaridade, deu visibilidade ampla ao mapa”, completa.

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“A partir da parceria, começamos a implantar essa ferramenta nas plataformas do SETCEMG. Disponibilizamos à sociedade informações de onde tínhamos interdições. Além disso, o SETCEMG ofereceu mecanismos de panfletagem, blitz educativas nas principais praças de pedágio do Estado e nas empresas. De forma mais abrangente, o SETCEMG se propôs a não ficar apenas no seu nicho, o transporte rodoviário de cargas, mas de impactar todos os cidadãos que circulam em veículos de passeio. A visão de abrangência do SETCEMG foi importante para que a campanha tivesse sucesso”, destaca o Major. “Em síntese, a campanha busca antecipar, prevenir e mitigar riscos para os usuários, proporcionando a visualização do mapa de interdições de rodovias durante o período chuvoso, além de outras ações educativas para a segurança no trânsito”, resume.

A ação proposta pelo SETCEMG de monitoramento em tempo real das rodovias corrobora com a pesquisa recente realizada pela CNT “Análise de Grandes Riscos do setor de Transporte. Segundo o estudo, os eventos climáticos estão entre os grandes riscos apontados pelos transportadores e suas lideranças nesse trabalho. 16% acredita que é praticamente certo que ocorra um evento climático extremo, 36% acha que é muito provável e 40% provável.  “É certo que as manifestações vêm acontecendo com cada vez mais frequência nos últimos anos e têm resultado em consideráveis interrupções no funcionamento normal das populações e empresas, afetando seu cotidiano e levando a perdas humanas e materiais. Assim, conhecer para atuar na mitigação dos efeitos é uma ação estratégica para toda a sociedade”, destaca o estudo.

Uma ferramenta de segurança para todos os motoristas que deu resultado

 

O Ir e Vir Seguro foi idealizado para acontecer em três etapas, sendo a primeira com blitz centralizadas em seis regiões, a divulgação de outdoors com mensagens educativas nas principais saídas da capital, spot de rádio, divulgação de vídeos educativos por aplicativos de mensagens para as empresas associadas e seus colaboradores e, claro, a divulgação do mapa com as informações atualizadas.

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A segunda etapa da campanha foi realizada no início de janeiro, aproveitando a movimentação intensa nas rodovias no período de férias, e a terceira etapa foi realizada na semana que antecedeu o carnaval. Durante todo o período de campanha, o SETCEMG e seus parceiros mantiveram a sociedade informada com os alertas necessários e dicas de segurança, por meio dos sites e redes sociais de todos os integrantes da campanha.

O principal resultado de toda a campanha e a união de esforços foi a interlocução com os órgãos responsáveis pela manutenção e prevenção e o fornecimento de informações dos pontos onde haviam acontecido os problemas no ano anterior. Os órgãos puderam verificar os locais e se anteciparem nas obras e soluções de engenharia para evitar novas ocorrências. “Com isso, no início de 2023, tivemos menos interdições, e as que tivemos foram resolvidas com mais eficiência. Tivemos uma redução de 57% nas interdições das estradas e de todas que ocorreram no período, 80% foram solucionadas no decorrer da campanha”, destaca o Major Robson de Almeida. “Isso mostra que o trabalho que foi feito foi um sucesso e nos motiva a manter a parceria com os outros órgãos envolvidos e dar continuidade à campanha”, completa.

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Segundo o ex-presidente do SETCEMG, Gladstone Lobato, um dos pontos positivos do Ir e Vir Seguro foi a questão da previsibilidade das viagens. “Para o setor de transporte de carga, de um modo geral, conseguimos obter, por meio da campanha, informações de forma muito mais ágil e tivemos condição de saber qual a situação das estradas de forma antecipada para assim traçar a rota mais adequada, desviando de pontos críticos e evitando atrasos e transtornos. Sem sombra de dúvidas conseguimos atingir esse objetivo”, acrescenta.

Outro que também avalia a campanha de forma positiva é o diretor do DER-MG, Cristiano Coelho. “Com a utilização do mapa interativo foi possível verificar as regiões do Estado de forma espacial, com maior volume de ocorrências causadas pelas chuvas e oferecer aos usuários uma informação mais rápida e precisa dos locais com algum tipo de problema, sendo que, no caso onde ocorreram interdições, ali mesmo se conseguia consultar uma rota alternativa e, consequentemente, planejar a viagem com mais precisão”, salienta.

Segundo ele, durante todo o período chuvoso, assim que era informado de alguma ocorrência, uma equipe do DER-MG era deslocada para confirmar o caso, sendo ele constatado, era imediatamente implantada uma sinalização de segurança no local. Além disso, essa ocorrência era lançada no sistema de monitoramento. “Em seguida uma análise técnica era realizada para apontar uma solução a ser implantada para resolver o fato, sendo que no caso de interrupção total, muitas vezes a solução era a de implantar uma variante no ponto para restabelecer o tráfego no mais curto espaço de tempo”, explica.

Ele acrescenta que, neste período, houve início dos trabalhos de recuperação imediato nos casos que não havia necessidade de elaboração de projeto de engenharia; nos casos em que ocorreram a necessidade de projetos de engenharia (os mais complexos), o mesmo é executado para posterior contratação de execução e recuperação do ponto. “Entre 2022/2023, durante o período chuvoso, ocorreram 26 interrupções de tráfego, sendo que deste total, 22 foram solucionadas durante a campanha e quatro se encontram em andamento. Além disso, o DER/MG atuou em centenas de pontos onde ocorreram interdições menores como queda de barreira, pequenas erosões e quedas de árvores”, completa o diretor-geral do DER-MG.

A campanha que nasceu para oferecer mais segurança no período das chuvas se torna permanente com ações focadas em outras frentes de ação

 

O Ir e Vir Seguro extrapolou todas as barreiras imaginadas pelos seus organizadores. Além de ganhar site próprio (https://irevirseguro.com.br/), a campanha não ficou restrita ao período de chuvas e ganhou desdobramentos em outras frentes de atuação, reforçando o poder político e de articulação das entidades representativas.

Em maio de 2023, o movimento ganhou uma nova ferramenta: o mapa de calor com os crimes contra o patrimônio nas rodovias de Minas Gerais. (https://irevirseguro.com.br/acompanhe/). Em uma parceria com a Polícia Militar Rodoviária de Minas Gerais, o Ir e Vir Seguro disponibiliza o mapa com informações atualizadas dos locais com maior incidência de crimes contra o patrimônio nas rodovias de Minas Gerais de 2018 a 2023 – mais uma ferramenta para as empresas de transporte rodoviário de cargas planejarem suas rotas.

Para o atual presidente do SETCEMG, Antonio Luis da Silva Junior, essa é mais uma inovação empreendida pela entidade para levar segurança para os transportadores. “O mapa atualizado em tempo real pela Polícia Militar Rodoviária de Minas Gerais será uma ferramenta importante para que os transportadores possam definir o horário e rotas mais seguras para suas operações. A campanha Ir e Vir Seguro segue, assim, com seu propósito de buscar maior segurança em nossas vias e de forma perene”, afirma.

Para o Major Robson Almeida, a segurança pública é uma construção conjunta entre o Estado e a sociedade. “Em nossa parceria com o SETCEMG, encontramos uma grande força propulsora de ideias grandiosas que podem, de fato, envolver a sociedade nas soluções para melhorias significativas para a segurança”, afirma.

No campo da infraestrutura, o Ir e Vir Seguro ganhou novos parceiros em busca de melhorias nas rodovias do Estado.

 

Minas Gerais tem a maior malha rodoviária do Brasil, equivalente a cerca de 16% do somatório de rodovias estaduais, federais e municipais de toda a malha viária existente no país. No estado, são 272.062,90 km de rodovias, de acordo com o governo estadual. Deste total, 9.205 km são de rodovias federais, 22.286 km de rodovias estaduais pavimentadas, e 240.571,90 km de rodovias municipais, na maioria não pavimentadas.

Segundo a última edição da Pesquisa CNT Rodovias, o Estado teve um aumento de mais de 311% na precariedade de suas estradas em 2022. Para o levantamento, foram percorridos 15.256 quilômetros de estradas pavimentadas e identificados 387 pontos críticos. Foram identificados 94 problemas nas estradas mineiras.

A baixa densidade da malha pavimentada e a má qualidade da infraestrutura rodoviária impactam a competitividade dos transportadores em diversos aspectos: aumentam o consumo de combustível, o tempo de deslocamento, as emissões de poluentes, aceleram o ritmo de depreciação dos veículos, elevam o número de acidentes e os custos monetários associados e, ainda, reduzem a segurança dos usuários das vias.

Dessa forma, o SETCEMG, por meio do Ir e Vir Seguro, tem empenhado diversas ações com representantes da iniciativa privada e do poder público de interlocução com os governos estadual e federal, em uníssono por um resultado melhor e mais rápido em relação à duplicação da BR-381, à construção do Rodoanel Metropolitano e à melhoria de outros trechos de rodovias do estado. “Participamos recentemente de diversas reuniões com o objetivo de reivindicar e também apoiar o DER-MG na viabilização de melhorias nas rodovias estaduais do Médio Piracicaba, entre elas, os acessos próximos a Itabira, Nova Era e João Monlevade, Sabará-Caeté a Barão de Cocais, São José do Goiabal a Timóteo ligando a BR-262 à BR-381, o contorno de Timóteo, e, também, iniciar as obras do Rodoanel por Ravena”, destaca Gladstone Lobato.

O SETCEMG, por meio do Ir e Vir Seguro, empreendeu parceria com o Movimento Pró-Vidas BR-381, que tem a participação de diversas lideranças políticas do estado, e apresentou, em primeira mão, o edital de concessão do sistema rodoviário da BR-381, em evento com a diretoria da ANTT. Faz parte do edital o trecho da BR-381 de 304 quilômetros entre Belo Horizonte e Governador Valadares e serão investidos cerca de  R$ 10 bilhões em 10 anos, com a duplicação de 134 quilômetros e melhorias ao longo do percurso.

“Com essas e outras ações, o SETCEMG segue trabalhando para melhorar a qualidade das rodovias e contribuir para as empresas terem menores custos adicionais por problemas de infraestrutura, mais segurança e, principalmente, a preservação de vidas”, finaliza Gladstone Lobato.

Apresentação do edital de duplicação da BR-381, pela ANTT, em evento em Belo Horizonte.

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