A IMPORTÂNCIA DO ESG NA AGENDA AMBIENTAL DO TRANSPORTE

O ano de 2021 começa impondo um retrato ainda duro para a sociedade. Entre velhos e novos paradigmas, o mundo ainda assolado pela pandemia do coronavírus, mas, ainda sim, com certa resiliência (ou antifragilidade), o setor produtivo brasileiro reinventou-se e agora, mais do nunca, a agenda ambiental imposta pela “onda verde” e uma ressignificação de como lidamos com a natureza (e seus nem tão previsíveis eventos) tomam uma especial dimensão: o expoente da mudança é o ESG (Environmental, Social and Governance – ou, em português, ASG, referindo-se à Ambiental, Social e Governança).

O tema ESG vem ganhando cada vez mais espaço, seja na política externa (eleição de Joe Biden nos EUA e a “onda verde” na Europa) ou na política interna. Parece cada vez mais consenso entre os especialistas que, com uma economia em reconstrução, o conceito build back better (reconstruir melhor, em tradução livre) tem na sustentabilidade um alicerce nunca antes visto, sendo o ESG o seu pilar central.

Mas o que vem a ser o ESG e como ele se torna importante para o TRC?

O ESG nada mais é que uma forma de análise sobre o comportamento e comprometimento das empresas relacionados às práticas ambientais, sociais e de governança.

De acordo com um relatório da XP Investimentos, diversos são os dados que mostram a evolução significativa do número de investidores que consideram as questões ambientais, sociais e de governança em suas decisões de investimento – à medida que mais investidores incorporam a ESG em suas estratégias de investimento, mais pressão será colocada em empresas cujos processos parecem não contribuir positivamente para tais objetivos.

Como as atividades de transporte estão diretamente envolvidas com o consumo de recursos naturais e fontes potencialmente poluidoras, é natural que os stakeholders, poder público e investidores questionem se as empresas de transporte evoluirão para se tornarem muito mais engajadas ambientalmente e socialmente.

Dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) apontam que 61,1% de toda a carga transportada no Brasil usa o sistema modal rodoviário, tendo as empresas de transporte do Brasil um peso enorme na gestão de supply chain do setor produtivo.

No mesmo relatório da XP, uma pesquisa da Nielsen, feita em 2017 com consumidores em todo o mundo, mostrou que: 1) 81% dos consumidores acreditam fortemente que as empresas devem ajudar a melhorar o meio ambiente; e 2) mais de 60% dos consumidores estão muito ou extremamente preocupados com a poluição do ar, da água, uso de embalagens, resíduos de alimentos, etc.

Por derradeiro, a agenda do ESG ganhará cada vez mais espaço para os transportadores rodoviários de cargas. Com a Cúpula do Clima, encontro que os EUA planejam promover nas próximas semanas, e a COP-26 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), marcada para novembro, o Brasil certamente será cobrado a dar uma resposta às críticas cada vez maiores em relação à condução ambiental, o que redundará em legislações e regulações sobre o tema e, consequentemente, afetará diretamente a atividade de transporte e logística.

Juliana Soares – assessora juridicoambiental do Setcemg e da Fetcemg

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